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Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, empresários do polo gesseiro de Pernambuco apresentam demandas para fortalecer o setor
Representantes da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) e do Sindicato da Indústria do Gesso do Estado de Pernambuco (SINDUSGESSO) reuniram-se nesta quarta-feira (16) com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em Brasília, e apresentaram demandas prioritárias para preservar a competitividade, a sustentabilidade e os empregos do polo gesseiro de Pernambuco.
Os pleitos do setor industrial abordam duas medidas emergenciais: a construção, junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de uma metodologia com piso mínimo de frete diferenciado para as operações originadas na região e a adoção de mecanismos de monitoramento e defesa comercial diante do crescimento das importações de gipsita, especialmente aquelas provenientes da Espanha. O polo responde por aproximadamente 90% da produção nacional de gipsita, reúne cerca de 561 empresas e movimenta uma cadeia responsável por mais de 70 mil empregos diretos e indiretos.
Durante a reunião, os representantes detalharam a proposta de piso mínimo de frete diferenciado, considerando as características específicas da operação no Araripe. A localização interiorizada, a distância dos principais mercados consumidores e a dependência do transporte rodoviário, associadas a cargas de baixo valor agregado, rotas de longa distância, fluxos recorrentes e possibilidade de aproveitamento de cargas de retorno, são apontadas como fatores que justificam uma avaliação específica da metodologia nacional. O documento solicita à ANTT a abertura de um procedimento técnico e participativo para levantamento dos custos efetivos. Como referência inicial para os estudos, o sindicato e a FIEPE propõem a análise de um coeficiente equivalente a 40% dos coeficientes ordinários atualmente utilizados.
O segundo pleito apresentado ao vice-presidente foi a necessidade de monitoramento e defesa comercial da gipsita nacional diante do crescimento das importações. Dados oficiais do Comex Stat mostram que as compras externas passaram de aproximadamente 60,4 mil toneladas em 2000 para 616,99 mil toneladas em 2024, um crescimento superior a 900%. Mesmo após a redução em relação ao pico de 2024, foram registradas 519.865 toneladas em 2025 e 482.419 toneladas em 2026, conforme o período considerado no levantamento.
Portanto, o pleito solicita ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e à Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) uma análise das condições de entrada da gipsita estrangeira no mercado brasileiro, considerando volumes, preços, eventual subcotação, dumping e subsídios. A reivindicação não busca impedir importações ou criar reserva de mercado, mas assegurar que a produção nacional e o produto importado concorram em condições equilibradas e compatíveis com as regras brasileiras e internacionais de comércio.
De acordo com Fábio Monteiro, o setor atualmente enfrenta duas ameaças simultâneas que estão impactando diretamente no funcionamento do polo e na preservação dos empregos. “Não estamos pedindo subsídios nem reserva de mercado. Queremos apenas que o Governo permita uma análise técnica e que a concorrência seja justa. Por isso solicitamos ao vice-presidente o apoio na articulação institucional para reunir ANTT, MDIC, Ministério dos Transportes, Ministério de Minas e Energia, FIEPE e SINDUSGESSO para analisar essas questões com prioridade”, destacou.
O encontro teve a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; de Fábio Monteiro, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE); de Marcelo Martuscelli, Secretário de Desenvolvimento Econômico de Pindamonhangaba/SP; dos empresários Guilherme Lins, João Granja e Francisco Helder de Miranda, diretor da BDG Construtora.
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